Tenho mania de culpa. E disse que não me culparia. Mas me culpo. Me culpo porque é assim que sou, me sinto culpada, procuro culpados, motivos e falhas. E hoje cheguei ao veredicto final. Declarei-me culpada mais uma vez. Por tudo. Por existir, por ser intensa, por estragar as coisas, por acreditar demais, por pensar demais, por pensar de menos, por fracassar e não conseguir me culpar. Então depois disso, achei seriamente que deveria andar com uma placa por ai. “CUIDADO COMIGO”, sei lá, “ PAREÇO LEVE MAIS SOU PESADA, DÊ MEIA VOLTA E VÁ PROCURAR COISA MELHOR” . E talvez se fosse assim, muito estresse fosse diminuído, muitos pedaços meus não seriam quebrados, nem expectativas destruídas, nem palavras usadas para expressar sentimentos que só morrem no final. Porque as pessoas tem mania de achar que comigo é igual a maioria das meninas por ai, mas não é, não sei porquê mas não é, nunca foi. Sou escritora,souexcentrica,sou paradoxo,sou tímida,gosto de falar alto,gosto de Nirvana e detesto Coldplay,adoro pizza e não sei lidar com gente que gosta de mim,sou apaixonada pelo Jack White e sou pessimista, e ainda por cima sou dramática e não sei lidar com isso, nem nada, nem ninguém.E pelo visto os outros também não gostam muito do que vêem. Então comprarei uma placa, tatuarei na minha testa “ PERDA DE TEMPO, AQUI NÃO TEM SALVAÇÃO”.
Você sabe que eu andei meio estranho. Coisa idiota, bobeira. Medo da vida, de gente preenchendo os lugares, de carros avançando o sinal vermelho no meio da rua..Eu tentei te ligar, quer dizer, meio que tentei. Chamou duas ou três vezes do outro lado, desisti de esperar. e comecei a pensar sobre o que quero de você – ou acho que quero de você.
Normalmente eu dou os primeiros passos certos. Me apaixono. Me faço apaixonar. Não que eu seja a menina mais interessante nem a mais apaixonante do mundo. Mas sentimento é uma coisa meio contagiante, já viu? Você fica por ali muito perto e, vai ver, acaba pegando. Como o cheiro específico de uma pele ou o refrão repetido de uma música não tão importante guardada na cabeça. Acontece. Depois, quando tudo parece certo e seguro e até promissor, veja só você, acabou fugindo no meio da noite sem deixar explicações ou recados na geladeira,antecipou o final do que estava começando, porque você viu que as coisas cresceram mais em expectativas do que em realizações.
Uma vez você me perguntou o que eu queria de um homem.Muito bem, eu respondi que queria um homem como você. Pá. Na lata. Um clichê automático que saltou da minha boca instantaneamente. Não era totalmente verdade. Não era totalmente mentira. Era só o que era naquele instante e, pelo menos, desde quando resolvi te ter pra mim.
Mas aí você me veio com aquela conversa de cachorros e discos do U2, emprego perfeito, alergias em comum, filmes do Almodóvar e quantos filhos mesmo? Quando na verdade o que eu queria era só uma companhia pras noites de sabado a noite, um carinho no pescoço, um café quente servido em duas xícaras, umas risadas na cama à toa e alguma coisa como corações acelerados no silêncio sem pensar em coisa alguma. Nada de perguntas-padrão ou planinhos afobados prevendo uma felicidade de cinema.
Sei mais o-que-é-sentir-alguma-coisa-por-alguém do que você pode imaginar. Sou expert em sofrimentos,de todos os tipos,cores e sabores. Eu tive medo da primeira vez. Da segunda também. Chorei ouvindo “Get Be Right” sábado à noite,Fui pega no contrapé, eu diria. Enfim, também cheguei àquela porra de fundo de poço por alguém. Depois, acho que me acostumei ao fato de que as pessoas não dão conta de todas as promessas que te fazem. Principalmente quando falam em pra sempre e nunca mais – duas expressões facilmente solúveis como guaraná em pó.
Sei lá. A gente precisa é entender que as pessoas por quem nos apaixonamos não existem mais.Notícia velha, cara: as pessoas mudam: de opinião, corte de cabelo, endereço, telefone e sentimentos. E nem sempre escolhem isso ou sabem identificar o ponto final.Talvez seja loucura tentar entender como as suas chaves não servem mais para abrir a porta de uma casa que era sua. Mas é assim que as coisas são, não é? Na prática, seus pés vão continuar sentido frio à noite, meu telefone vai continuar caindo na secretária eletrônica, nossas línguas vão continuar com vontade uma da outra sem falar o mesmo idioma. Até um dia desses.
Por que sempre chega um dia desses. Uma hora ou outra eu vou te encontrar na rua e vamos trocar beijos no rosto e perguntar como foi a semana ou comentar sobre a mudança do clima, essas coisas, você sabe, as mãos fora de lugar, os olhos inquietos, as cabeças balançando. E depois eu vou olhar pra trás e te ver dobrar a esquina sem saber se você foi porque quis ou porque eu deixei. Talvez não faça muita diferença no final das contas, se você parar pra pensar que uma coisa é consequência da outra. Mas não importa tanto agora, importa? Como todas as outras pessoas, somos só dois estranhos tentando ser felizes por aí de novo, com ou sem alguém.Cada um a sua maneira.
Corrompida
Eu tinha alguns fatos, algumas dúvidas e um bocado de suposições um tanto confusas. E isso não era o suficiente. Não era seguro o bastante para me fazer baixar a guarda. Era apenas mais uma situação instável demais, arriscada demais, como construir uma casa em areia movediça. E estava muito cansada para esperar que as coisas ficassem mais claras, para esperar a certeza, para esperar por suas decisões. Eu não ficaria ali para sempre. Menos que isso. Talvez quando as suposições finalmente se tornem respostas, eu já tenho ido. Cansei de apenas assisti-los partir, quero ser assistida também.
Joania V.
Sou apaixonada pela paixão das pessoas.
acho incrível o modo como as pessoas falam delas, a maneira como seus olhos enchem de brilho enquanto contam seus detalhes, a forma como a vida ganha cor, espaço, vontade. conheço uma pessoa em um dia e logo passo a procurar nela a sua paixão. por exemplo, meu irmão é apaixonado por jogos, minha vizinha pelo flamengo. acho lindo. sabe por quê? porque irradia. faz com que os outros se interessem também, as pessoas compartilham e não sei, parece que a coisa fica grande, enorme, cheia de graça! adoro.
mas durante muito tempo eu não encontrava a minha paixão.algo que me movesse que enchesse meus olhos e me causasse tudo aquilo que eu via nas outras pessoas. é claro que ela existe,e aqui outro dia em casa, eu estava toda envolvida com alguns trabalhos, quando soltei a frase: “meu Deus, como me faz falta poder ler um livro de cabo à rabo, o quanto eu quiser, de trás pra frente, de frente para trás, sublinhar, anotar pedaços, ah!”. e clic! pápum. eu senti a faísca aqui no meu coração. eu senti aqui dentro aquela certeza. é isso.
sou apaixonada por literatura. mesmo! e isso não é de hoje, é de sempre. estou tão acostumada a escutar os outros dizendo “O que você está lendo?” ou “Você hein? Sempre com um livro!” ou ainda “Tem algum livro para me indicar?” e eu nunca havia percebido. todo mundo sabe que eu sou apaixonada por livros, eu mesma sempre soube, mas faz pouco, pouquíssimo tempo que eu entendi que essa é a minha verdadeira paixão. escrever tá ali ó, na segunda colocação raspando, mas ler é o meu negócio. me teletransporta, me preenche a alma, me faz bem. eu surto de felicidade quando leio um bom livro, quando leio um bom texto, um mísero trecho, eu quero contar pra todo mundo, quero que todo mundo saiba, quero compartilhar com geral. é isso. literatura é a minha praia,minha salvação nesse mundo de mesmice.
entraram duas meninas de mãos dadas e olhar apaixonado no ônibus
uma delas tinha o cabelo curto, de um preto quase azul e braço todo tatuado: flores, faixas e dizeres. fiquei babando em cada um desenhos pensando “que pena que eu nunca vou ter coragem de fazer isso tudo em mim”. acho lindo. tinha também a orelha cheia de piercings e usava calça larga e camiseta. era muito bonita. a outra vestia saia rosa, regata justa, tinha a pele sem nenhum risco ou desenho e usava uma maquiagem impecável. era linda. tive a impressão de que junto comigo, todos os olhares daquele vagão lotado haviam pousado os olhos nas duas. a mão da primeira suavemente colocada na cintura da segunda, a aliança prata na mão esquerda de cada uma. mais que tudo isso, o olhar. o carinho mútuo sem gestos. percebi que a razão do meu olhar, no entanto, era diferente da razão dos outros. senti o incômodo alheio, os olhares agoniados, cheios de repreensão. dois meninos de uniforme com uns 15 anos, cutucando-se e dando risadinhas. uma senhora que sentava-se à frente das duas e que só olhava para os próprios pés. um homem com cerca de 45 anos com os olhos fixos em cada movimento das duas balançando a cabeça de quando em vez. “que difícil deve ser”, pensei. viver numa espécie de big brother todo santo dia, ser apontada, acompanhada de risadas, cabeças baixas e olhares curiosos. senti um medo temeroso de repente. “será que elas acharam que eu fazia parte desse time?”. quase que corri até elas pra dizer com pressa, “olha, eu não julgo vocês duas não viu? eu tava olhando suas tatuagens, que achei linda. e também a sua saia, que achei maravilhosa. eu juro!”. pois essa era a verdade. ao mesmo tempo senti vontade de ficar entre as duas feito segurança e dizer em alto e bom som ” que é que é cambada? que é que tá todo mundo olhando? vão cuidar das suas vidas!”.
mas não fiz nada. continuei ali sentada, e resolvi abrir um livro. não li uma linha. fiquei só ali pensando que estamos em doismiledoze e tem gente com quinze anos que pensa estar no século passado. estamos em doismiledoze e tem gente que acha que tem o poder de sair por aí reprimindo amor.
eu vi duas meninas de mãos dadas e olhares apaixonados saindo do ônibus. eu também vi o preconceito.
[corrompida]
Chinelos, silêncio, sol, coca-cola, piscina, livros, travesseiro, cerveja, família, televisão, café ,preguiça, risadas, nostalgia, depressão, tumblr, chocolate, sorvete, chuva, crianças brincando, música, ressaca, cigarros, filmes, pijama, samba no violão, mesmice, sono , amigos...domingos..
[Jamile Paiva]
Eu fui, esperei, vi e você não quis.Você veio, eu não vi, não esperava e nem foi por mim.Isso não dá nenhum silogismo mas a conclusão é lógica pura: Eu de mais. Você de menos.
corrompida.
(Source: corrompida)
Mas você sabe, eu não sou como as outras garotas que você conhece. Essa é a frase mais clichê do mundo, porém, não posso negar que ela se encaixa perfeitamente na minha realidade. Eu nunca vou ser capaz de te fazer completamente feliz, afinal, nem eu mesma encontrei a felicidade plena. Eu nunca vou te dizer as coisas certas nos momentos certos, talvez eu bagunce tudo e faça você ficar mal, mas eu sou assim, desastrada. Quebro tudo, inclusive a cabeça de quem tenta me entender, nem que seja por um segundo. Não sou como essas garotas fofas que estão o tempo todo sorrindo, muito pelo contrário. Meu humor vai de zero a dez em segundos, acostume-se. Me encanto com pouco, desde um abraço, um ‘eu senti sua falta’ até um sorriso de canto. Me apego muito facilmente, e talvez seja esse o motivo da maioria das minhas decepções. Eu realmente sou muito (tipo, muito) complicada. Choro por nada, rio quando não posso. Faço piada de tudo, talvez seja apenas um modo de me defender. Falo as coisas e depois dou risada, e toda brincadeira minha tem um fundo de verdade. Eu não vou te dizer coisas fofas várias vezes ao dia, eu demostro amor por meio de xingamentos, então se eu te chamar de ”idiota” e depois dar risada, é porque eu te amo. Não sou do tipo de garota que os garotos se apaixonam, apesar de não fazer muita questão disso. Me acostumei a viver sozinha, e talvez por isso tento passar uma imagem fria e fico na defensiva a maior parte do tempo. Eu não vou acreditar se você disser que me ama e não me provar isso. Prefiro ações do que palavras, mesmo que elas também tenham um efeito poderosíssimo sobre mim. Eu sou completamente errada, me arrependo constantemente das escolhas que faço, e me decepciono em uma frequência absurda. Talvez porque eu realmente confie nas pessoas, talvez porque eu ainda acredite no amor e nessas baboseiras todas. Já prometi pra mim mesma que mudaria, que seria uma pessoa melhor. Mas esse é meu jeito. Eu sou imperfeita, quebrada, vim com inúmeros defeitos de fabricação, e nunca vou ser como essas garotas que você conhece. (rocknrollgirl)